cardboard crowns
Cardboard Crowns é um álbum sobre resistência — não a heróica, mas a do dia-a-dia. Fala das coroas que inventamos para aguentar o mundo: feitas de cartão, frágeis, mas nossas. As batidas vêm do trap, e o coração sincero, cru, por vezes desarmado. Não há sarcasmo aqui. Só a verdade possível, dita entre ruído e respiração.
músicas e letras
Cardboard Crowns é o álbum que eu quase não fiz.
Depois de tanto sarcasmo, chegou o silêncio — e dele saiu isto: um disco cru, triste, por vezes bonito, outras lamechas... mas sempre humano e testemunha dos mais variados abusos cometidos pela humanidade.
Como os anteriores, este álbum é 50% humano e 50% IA. Mas aqui, os dois parecem despidos: sem ironia, sem armadura, só música, com o humano ao piano e a AI na voz.
Hesitei em lançá-lo. Achei-o frágil, melancólico, fora de personagem.
Mas quando o ouvi de novo, percebi que a fragilidade também pode ter força.
É um álbum que por vezes me emociona — e pode ser que faça o mesmo contigo. E talvez por isso mereça existir.
Agora está nas tuas mãos.
E ouvidos.
Todas as letras e músicas por O Pimbaverso [Tiago DaCunha Caetano].
Canvas Homes (E)
Histórias de quem perdeu tudo, menos a rotina de trabalhar. Uma canção sobre as cidades que expulsam os seus e as tendas que se tornam moradas — dignidade embrulhada em lona e frio. Surge numa altura em que a especulação imobiliária já atinge famílias da classe média, empurrando-as para a rua. É o retrato cru da precariedade e do feudalismo moderno do mercado da habitação.
Lullaby Shift
Uma mãe exausta encontra no filho o único abrigo que resta. Entre turnos, cansaço e ternura, esta é uma canção sobre amor que sobrevive ao esgotamento. Retrata a solidão de tantas mães solteiras que lutam para se manter à tona num mundo que ignora que nem todas as pessoas são casais — e que há famílias onde dois rendimentos só existem quando se tem dois patrões.
Tin of Tuna (E)
Um retrato urbano de compaixão mínima: um gesto pequeno que carrega o peso de um mundo desigual. É a canção de quem dá pouco, sabendo que pouco pode dar. Não é um decalque, mas é inspirada numa figura real. O homem existe, os figos existem… e a lata de atum... sempre que posso. Às vezes trago uma Bola de Berlim, para que ele não esqueça o que é um doce.
Guillotine
Um manifesto falado: o sistema cai por conta própria. Não há revolta — só a constatação fria de que o mercado devora até os seus criadores. Não faço questão que seja segredo: não sou fã do capitalismo, muito menos da forma como é aplicado.
Coming of Age (E)
Memórias de adolescência vividas atrás de ecrãs. Entre exclusão, desejo e ironia, é o grito de quem cresce num mundo digital sem lugar para os tímidos. Na verdade, nunca fui um “nerd” nem sofri bullying — tive sorte. Mas conheci alguns que não. Esta é para eles.
Two Borders
Ser estrangeiro em todo o lado: uma voz entre fronteiras, pele e sotaques. Fala de invisibilidade, preconceito e da força silenciosa de quem insiste em existir. Parto sempre do princípio de que quem precisa mais do meu apoio é quem tem menos direitos, ou maior dificuldade em exercê-los. Tenho vizinhos estrangeiros e esta é, em parte, também sobre eles.
I Ran
Um relato breve e devastador sobre violência doméstica. Poesia falada, sem grandes arranjos onde se esconder — o silêncio entre o trauma e a libertação. Mais uma vez, é uma história verdadeira, recolhida no contexto de uma comunidade. Não tão trágica, felizmente, mas marcante o suficiente para não esquecer.
The Blame Was Mine Alone
Confissão e expiação: a voz de quem reconhece o próprio monstro. Uma balada de culpa, amor e remorso, onde o pedido de perdão chega tarde demais. É apenas uma entre milhares de histórias deste país — onde o álcool, a violência e a indiferença se tornaram rotina. Falamos, mas nada muda. Continuamos orgulhosamente o povo com maior consumo de vinho per capita do mundo.
Evoking
Respiração entre mundos — um tema instrumental que suspende o peso das palavras. Para uns poderá ser uma música de ascensão para outro mundo, ou sobre morte crua, ou sobre o choro de quem fica. Certo é que quem parte deixa para sempre uma flor na nossa memória. Se este álbum já é difícil de ouvir, imagina o que foi escrevê-lo, compor e ouvi-lo em ciclo durante semanas.
One Less Fascist In My Head (E)
Uma canção que não pede licença para existir. Fala de misoginia, poder e liberdade, com o sarcasmo e a raiva de quem já está farta de explicar o óbvio. Um manifesto contra a cultura dos “bros” e das opiniões sobre corpos alheios. Dei o meu melhor para me colocar na pele de uma mulher, mas é impossível. Tentei dizer basta — com ritmo, clareza e uma frase final impossível de esquecer.
loja pimbaverso
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