músicas e letras
Team Orca é um álbum sobre ganância, colapso e resposta. Será um álbum anti-capitalista? Provavelmente. Mas acima de tudo é um álbum "por favor não fodam o planeta em que vivemos".
Não é um grito — é uma tomada de posição. Fala de poder, riqueza, destruição e das narrativas que normalizámos enquanto o planeta arde.
As orcas surgem como símbolo: natureza cansada de observar, finalmente a agir e — pelo menos em Portugal — a afundar iates de betos.
Na verdade, a ideia para todo o álbum veio de um cartaz desenhado por um amigo da banda, que o empunhou numa manifestação: Team Orca — Eat The Rich. E fizemos uma t-shirt para acompanhar.
As batidas são tensas, por vezes implacáveis e o piano é inquieto.
A ironia continua lá, mas mais afiada. Não é um álbum confortável. É um álbum necessário — para dançar, pensar e escolher de que lado estás: do lado dos milionários, ou és Team Orca?
Todas as letras e músicas por O Pimbaverso.
Sound Of Earth
Sound of Earth abre Team Orca com o que vem antes de tudo: o planeta a respirar. Não é uma canção sobre humanos — é sobre o que existia antes deles e o que pode sobreviver depois. A Terra não grita. Vibra. Um som subterrâneo sempre presente, mesmo quando o ignoramos. É o momento de escuta: do chão, do peso, da memória do planeta. Antes das orcas atacarem. Antes da resposta. Antes do confronto. O som da Terra a lembrar-se de si própria.
Yacht Song
Yacht Song é a sátira que o álbum pedia desde o início. Uma canção sobre luxo flutuante, isolamento moral e a ideia profundamente ingénua de que dinheiro compra imunidade — inclusive à natureza. Aqui, o iate é símbolo máximo: refúgio dourado enquanto o mundo aquece, palco de champanhe enquanto as marés sobem. Mas o oceano lembra-se. E as orcas também. Yacht Song não é sobre um homem específico — é sobre uma classe inteira que confunde liberdade com fuga, e sucesso com distância. I’m Team Orca.
Mars Spaceport Lounge (E)
Mars Spaceport Lounge imagina o refúgio final do capitalismo tardio. Quando a Terra já não chega, vende-se Marte como destino premium: oxigénio importado, cocktails de metano e a ilusão confortável de recomeçar… sem mudar nada. A canção satiriza a fantasia colonial moderna: fugir em vez de reparar, explorar em vez de cuidar. Aqui, Marte não é futuro — é escapismo. E no fim, mesmo entre estrelas, a solidão continua a ser o serviço incluído.
Boa viagem.
Tax The Rich
Tax the Rich é o manifesto mais directo de Team Orca.
Não é um slogan — é uma constatação: acumular não cura, não preenche e não salva.
A canção desmonta a fantasia da riqueza infinita e expõe o vazio por trás do excesso, da obsessão pelo crescimento e da ideia de que mais dinheiro é sempre a solução.
Aqui, taxar os ricos não é vingança — é sanidade.
Porque quando o lucro se torna um fim em si mesmo, alguém acaba sempre a pagar a factura: nós.
Arctic Route (E)
Arctic Route é a canção mais absurdamente lógica de Team Orca.
Quando o degelo devia ser um alarme, transformámo-lo numa oportunidade.
A rota do Árctico surge aqui como metáfora perfeita: arriscar o colapso climático global para encurtar prazos de entrega e baratear bugigangas.
A música expõe a decisão mais estúpida possível — saber o que está em causa… e avançar na mesma.
Quando o lucro é urgente, o futuro pode esperar.
Ou afundar.
The Realtor (E) - and Reprise
The Realtor é a voz que ninguém elegeu, mas que decide onde (e se) podes viver.
Uma canção sobre habitação tratada como activo financeiro, sobre cidades transformadas em produto e pessoas reduzidas a obstáculos de mercado.
Aqui, o sorriso vende “lifestyle”, enquanto empurra vidas para fora do enquadramento social.
Não é ficção. É apenas o discurso dito em voz alta.
Bem-vindo ao mercado. Boa sorte a pagar.
We Drill. We Burn. We Take.
We Drill. We Burn. We Take. é o mantra cru do colapso.
Uma frase simples, repetida até deixar de soar abstracta — porque é exactamente assim que funciona a destruição.
Extraímos, queimamos, acumulamos.
E quando o ar falta, fingimos surpresa.
Esta música não acusa um vilão específico: descreve um sistema inteiro a funcionar como foi desenhado.
Sem metáforas bonitas. Sem salvação automática.
Só o som de um planeta a ficar sem fôlego.
Melting Ice
Melting Ice é o momento em que a metáfora deixa de ser metáfora.
Não há urgência artificial aqui — apenas o som lento de algo a ceder.
O gelo não explode, não colapsa de uma vez. Derrete. Gota a gota.
E é isso que torna tudo mais perigoso: quando percebemos, já estamos molhados.
Melting Ice fala desse ponto de não-retorno silencioso, onde o ritmo é inevitável e o aviso já não vem em letras grandes.
Vem em inundação.
Main Character
Main Character é um retrato da era do espelho permanente. Uma canção sobre viver como se o mundo fosse cenário, enquanto tudo à volta colapsa. Likes, narrativas pessoais e indignações selectivas convivem com crises reais, incêndios e inundações. Aqui, o problema não é vaidade — é indiferença. Quando toda a gente é protagonista, ninguém assume responsabilidade. Main Character é o momento em que percebemos que o ego também aquece o planeta.
Greed
Greed fecha o álbum sem metáforas suaves. É a palavra que esteve sempre no centro de tudo: é o que normaliza a desigualdade, destruição e impunidade. Aqui, a ganância não é um defeito do sistema — é o sistema. Tudo se transforma em lucro. Greed não aponta um vilão isolado, mas uma engrenagem inteira que funciona à custa de muitos para proteger poucos. Se o álbum começou a ouvir a Terra, termina a nomear o problema. E a resposta já não é o silêncio. É ser Team Orca.
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